Um único erro de gestão operacional atua com o catalisador de um colapso sistêmico no perfil do solo.
A classificação de solos, combinada ao clima da região, é o que define os ambientes de produção mais adequados para cada cultura — um raciocínio prático para o dia a dia do produtor.
Mas quando o tráfego ocorre com o solo com a umidade na capacidade de campo, para as diferentes texturas, a compactação ocorre nas duas classes facilmente. Na paisagem, áreas planas, uma das evidências de que o solo está compactado é o surgimento de empossamento de água, já em terrenos com topografias mais acidentadas, solos compactados favorecem o escorrimento superficial da água provocando erosões. Outro componente do solo que a compactação afeta fortemente, mas que é "invisível" para a maioria de nós, é a porosidade de aeração que permite as trocas gasosas do solo (fase biológica), influenciando no crescimento das raízes e na absorção de água e nutrientes.
A medida que a umidade do solo aumenta, a susceptibilidade dele a compactação (aumento da densidade aparente) também aumenta, desde que o ponto de partida seja o solo seco. O tráfego de máquinas sobre o solo com a umidade acima da capacidade de campo (solo saturado) aumenta a deformação dele, diminuindo a densidade aparente, porém dificultado a trafegabilidade. Por isso, o controle de tráfego na lavoura é uma prática operacional que preserva o solo, em sua maior parte, da compactação, pois retomadas de colheita de cana no pós chuva acontece e no caso de cultivo de grãos no Brasil, o semeio e a colheita coincidem com o solo na sua maior vulnerabilidade à compactação, período chuvoso.