Quatro níveis categóricos já definidos, do mais geral ao mais detalhado, e como cada um se conecta às decisões reais de manejo no agronegócio.
A hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, que é fundamental para se decidir o manejo racional no agronegócio, prevê 6 níveis categóricos (ordem, subordem, grande grupo, subgrupo, família e série); até o presente, atinge o quarto nível categórico (figura 1).
Essa figura inclui 13 ordens, 44 subordens, 188 grandes grupos e 996 subgrupos.
As 13 ordens foram agrupadas incluindo os solos minerais não hidromórficos, exclusivamente com a sequência de horizontes A-B e com baixo gradiente textural (Latossolos, Nitossolos, Cambissolos, Espodossolos, parte dos Chernossolos) e com alto gradiente textural (Argissolos, Luvissolos, Planossolos, parte dos Chernossolos).
Em seguida fazem parte os solos exclusivamente com a sequência de horizontes A-C (Neossolos e Vertissolos), seguido dos Plintossolos, que tanto podem ter a sequência de horizontes A-B como A-C.
Finalmente, seguem-se os solos com muito forte restrição de drenagem interna (Gleissolos e Organossolos).
Portanto, o último solo da figura é o Organossolo, o mais difícil de se encontrar no Brasil, com bem menos de 1% do território nacional.
Essa hierarquia é descendente porque se baseou nas informações pedológicas de levantamentos de solos genéricos (Exploratório e Reconhecimento), ao contrário do Sistema Americano de Classificação de Solos, que é ascendente, elaborado a partir do nível de série, baseado nos levantamentos de solos detalhados dos Estados Unidos.
Existem muitas diferenças nos critérios de classificação de solos do Brasil e dos Estados Unidos (Soil Taxonomy); uma delas refere-se à subordem. Por exemplo, na subordem do Sistema Brasileiro, a cor é utilizada para Latossolos e Argissolos; por outro lado, ambos os solos se correlacionam, respectivamente, com Oxisols e Ultisols ou Alfisols.
Na subordem do Soil Taxonomy, em vez da cor, para vários solos são utilizados os regimes hídricos, que informam as condições hídricas durante períodos específicos do ano no perfil de solo.
Para a maioria dos solos no SiBCS, o grande grupo considera as condições químicas subsuperficiais, que têm reflexo no aprofundamento radicular no perfil de solo, interferindo diretamente na capacidade de água disponível (CAD).
No subgrupo, o enfoque brasileiro é de solo típico ou intermediário, respectivamente typic e intergrade para os americanos.
Os Latossolos e os Argissolos não possuem impedimentos físicos naturais, exceto se forem coesos. No horizonte B podem ser eutróficos, ou mesotróficos, ou distróficos, ou mesoálicos, ou álicos, ou alumínicos, ou alíticos ou ácricos.
Para o mesmo valor de uma chuva significativa, devido ao grande gradiente textural, a infiltração hídrica no perfil é menor no Argissolo típico do que no Latossolo típico.
Os Latossolos são ressecados, exceto os de textura argilosa ou muito argilosa quando, ao mesmo tempo, apresentam o caráter eutrófico.
A quebra de capilaridade entre os horizontes mais arenosos (A ou E) e mais argilosos (B) é a principal explicação para o duradouro suprimento de água para as plantas nos Argissolos, Luvissolos, Chernossolos Argilúvicos, Planossolos e Plintossolos Argilúvicos.
Os Nitossolos possuem destacados valores de capacidade de água disponível em função da estrutura prismática muito rica em microporos; já os Chernossolos possuem CAD ainda mais elevada do que os Nitossolos porque o horizonte A é muito mais rico em matéria orgânica.
Os Neossolos Quartzarênicos apresentam várias limitações: reduzida CTC e capacidade de água disponível, poucas bases e micronutrientes — o que também ocorre nos Espodossolos, que comparativamente são menos limitantes porque o horizonte B espódico possui algum armazenamento hídrico, especialmente quando não se inicia na profundidade de 50–75 cm.
Os Neossolos Litólicos possuem como principal limitação a pequena profundidade, o que limita muito o enraizamento abaixo do horizonte A, resultando na baixa capacidade de água disponível.
Em função do grande volume do material duro rico em ferro, os Plintossolos Pétricos são bem mais limitantes que os Neossolos Litólicos; a plantabilidade é maior nos Plintossolos Háplicos do que nos Neossolos Litólicos.
Os Vertissolos são extremamente duros quando secos, sendo problemático o seu preparo do solo; em volume, armazenam grande quantidade de água disponível, mas grande parte desse volume fica "blindada" no solo porque a água fica retida com grande energia num ambiente de mineralogia expansiva e contrátil.
Os Planossolos, Gleissolos e Organossolos possuem limitação pelo encharcamento frequente.
O nível de grande grupo tem grande relação com a capacidade de água disponível.