Da trincheira à ordem e à subordem do SiBCS: o método do Atalho Pedológico, de Hélio do Prado, para identificar o solo no campo por um caminho mais curto.
Classificar um solo no campo é como percorrer um labirinto: existe mais de um caminho, e o objetivo é achar o mais curto. Este guia segue o método do Atalho Pedológico, de Hélio do Prado, para chegar à ordem (primeiro nível) e à subordem (segundo nível) do SiBCS.
Estude o perfil em local sem erosão e sem adição de materiais, em trincheira ou em barranco de estrada, bem iluminado pelo sol, para enxergar melhor os limites dos horizontes. No barranco, raspe a parede vertical cerca de 30 cm para dentro: o objetivo é ver o solo nas condições naturais, e não ressecado pelo sol, que altera a estrutura e a consistência seca e úmida.
Com uma faca ou canivete, separe os horizontes pelas variações de cor, textura, estrutura, consistência e, se existir, cerosidade. Anote as espessuras e os tipos de transição entre eles.
Comece pelos horizontes mais profundos, para evitar contaminação, e anote a profundidade de cada coleta. Guarde o solo em sacos plásticos grampeados e etiquetados com o número do local e as profundidades.
Evite examinar o perfil com mais umidade do que o normal, porque a chuva altera a avaliação. Nos solos em que a classificação depende de cerosidade, adensamento, fendilhamento ou retração, espere de 5 a 7 dias depois da chuva.
A tradagem só substitui a trincheira para quem tem grande conhecimento da morfologia e do contexto de ocorrência do solo na paisagem, porque o trado não permite avaliar estrutura, cerosidade e consistência úmida em condição natural.
Nem todo solo tem horizonte B, e a profundidade dele não é fixa; em geral aparece dentro de 100 cm da superfície. Quando existe, a pergunta seguinte é quanto a argila aumenta do horizonte A para o B. A diferença é baixa quando o aumento máximo de argila no B é de:
Passou desse limite, a distribuição de argila no perfil é alta. Exemplo: com 20% de argila no horizonte A, usa-se o fator 1,7; o valor máximo no B para uma diferença baixa é 34% (20 x 1,7). No campo, a argila se estima pelo tato.
A combinação entre a presença do horizonte B e a diferença de argila leva a um dos cinco grupos do livro. Em cada grupo estão as ordens possíveis:
| Grupo | Característica do perfil | Ordens |
|---|---|---|
| I | B diagnóstico com baixa diferença de argila (latossólico, nítico, incipiente ou espódico) | Cambissolos, Chernossolos, Espodossolos, Gleissolos, Latossolos, Nitossolos, Plintossolos |
| II | B textural (alta diferença de argila) | Argissolos, Chernossolos, Gleissolos, Luvissolos, Planossolos, Plintossolos |
| III | Sem horizonte B: sequência A-C | Chernossolos (Rêndzicos), Gleissolos, Neossolos, Organossolos, Vertissolos |
| IV | Sem horizonte B: sequência A-R | Neossolos Litólicos |
| V | Sem horizonte B: sequência A-F | Plintossolos Pétricos |
Cada página de ordem traz as características do horizonte A, B ou C e as comparações que ajudam a separar solos parecidos. Veja a lista completa em classes de solo.
No segundo nível (subordem), o caminho é a cor do horizonte B, a textura e o tipo de horizonte superficial. Por exemplo, nos Latossolos e nos Argissolos a subordem é definida pelo matiz do horizonte B: 2,5 YR ou 10 R (Vermelhos), 5 YR (Vermelho-Amarelos) e 7,5 YR ou 10 YR (Amarelos). As definições de cada subordem estão na página da ordem.
A cor se examina com a carta de Munsell, de rotina no solo úmido. Ela tem três componentes: o matiz (proporção entre o vermelho e o amarelo, de 5 R a 5 Y), o valor (tonalidade de cinza, de 0 a 10) e o croma (intensidade, de 0 a 20). Croma zero é cinza puro (notação N).
Exemplo de anotação: 7,5 YR 4/2 significa matiz 7,5 YR, valor 4 e croma 2. No matiz 10 R a contribuição do vermelho é de 100%; em 5 YR, de 50% de cada cor; em 7,5 YR, 62,5% de amarelo e 37,5% de vermelho.
Em local sem erosão e sem adição de materiais. As dimensões usuais são 1,5 m de comprimento por 1,5 m de largura e 1,5 a 2,0 m de profundidade em solos profundos e muito profundos, com degraus para acesso. Não jogue solo do fundo na face onde será feita a descrição.
Só com muito conhecimento de morfologia e do contexto na paisagem. Com o trado não é possível avaliar estrutura, cerosidade e consistência úmida, porque a força de girar o trado torce os agregados do horizonte subsuperficial.
De 5 a 7 dias, principalmente para solos em que a avaliação depende de cerosidade (Nitossolos), do adensamento (Latossolos e Argissolos dos tabuleiros costeiros e de parte da região Norte), do fendilhamento (Vertissolos) ou da retração (Latossolos Brunos e Nitossolos Brunos).
Pela pegajosidade do solo molhado entre os dedos. O silte é reconhecido pela sensação sedosa, e quando seco parece talco. Quando não for possível avaliar a textura no campo, a análise granulométrica pelo método da pipeta é a mais indicada.
Fonte: PRADO, H. Atalho pedológico: para classificar solos no campo. Piracicaba: edição do autor, 2013. O conteúdo segue o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos adotado no livro; a edição atual do SiBCS (Embrapa, 2018) pode trazer ajustes em critérios e nomes.