47ª Gênese dos Neossolos Flúvicos, Neossolos Litólicos, Neossolos Regolíticos e Neossolos Quartzarênicos

As explicações para a gênese dos Neossolos Litólicos, Neossolos Regolíticos e Neossolos Flúvicos são muito confortáveis, ao contrário da explicação dos Neossolos Quartzarênicos, todos considerados solo jovens nos sistemas de classificação de solos do Brasil e dos Estados Unidos.

O teor de argila dos Neossolos:

  • Depende da natureza da rocha nos Neossolos Litólicos (figura 1) e nos Neosolos Regolíticos (figura 2) ,
  • Deve ser alternadamente alto e baixo nas várias camadas no perfil dos Neossolos Flúvicos (figura 3a), consequência das adições de lama, e material grosseiro pelas enchentes fluviais dos tempos pretéritos e atual (figura 3b),
  • É muito baixo nos 200cm iniciais nos Neossolos Quartzarênicos (argila mais silte menor ou igual a 15%, a diferença representada basicamente pela fração areia constituída básicamente de quartzo, mineral altamente resistente as intempéries, por isso o reduzido teor argila no ambiente do intemperismo (figura 4).
Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
Figura 1. Perfil representativo do Neossolo Litólico (Foto: José Coelho de Araújo, EMBRAPA-Solos).
Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
Figura 2. Perfil representativo do Neossolo Regolítico (Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, Ribeirão Preto).
Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
Figura 3a. Perfil representativo do Neossolo Flúvico e local de ocorrência do Neossolo Flúvico na paisagem do rio Piracicaba (SP), (Foto: Hélio do Prado).
Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
Figura 3b. Deposito de areia no horizonte A pela enchente, em 2016.
Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
Figura 4. Perfil representativo do Neossolo Quartzarênico (Foto: Hélio do Prado).

O grande desconforto é explicar toda juventude do Neossolo Quartzarênico uma vez que esse solo possui pelo menos 5-10 metros de profundidade, mesmo assim pedologicamente é considerado jovem!

Nas trincheiras profissionais e alunos sempre perguntam:

Porquê as literaturas pedológicas do Brasil e dos Estados Unidos consideram tão jovem o Neossolo Quartzarênico e o Entisol, respectivamente ?

Enquete #64. Ponto de carga zero: propriedades físicas, químicas, mineralógicas, morfológicas e manejo

A Pedologia permite associar com segurança o conceito do PCZ com outros parâmetros, o que é básico para o manejo de solos.

Ponto de Carga Zero (PCZ) é o valor do pH onde a carga superficial de um sistema reversível de dupla camada é zero (PARKS & BRUYN, 1962).

Para mostrar diversas interrelações a partir do PCZ, foram escolhidos tres perfis de solos, um perfil com total participação das cargas elétricas permanentes figura 1 (a), e dois perfis com cargas elétricas variáveis figura 1 (b) e figura 1 (c).

Figura 1. Solos de Minas Gerais e Goiás.
Figura 1. Participação das cargas elétricas permanentes, ou independentes de pH (a); participação das cargas elétricas dependentes de pH, adaptado de Wambeke (1974), (b), (c).

(a) - argila 2:1, cargas elétricas negativas ao longo do perfil (cargas permanentes ou independentes de pH);

(b) - argila 1:1, cargas elétricas negativas até certa profundidade do perfil, reversão para cargas positivas no pH relativamente baixo nas maiores profundidades no perfil (cargas dependentes de pH);

(c) - argila oxídica, cargas elétricas negativas até certa profundidade do perfil, reversão para cargas positivas no pH relativamente alto nas maiores profundidades no perfil (cargas dependentes de pH).

Quando o pH do meio é maior do que o PCZ predominam cargas elétricas negativas, ou seja representa a capacidade de troca de cátions (CTC), figura (1b), e em parte na figura 1 (c); quando o pH do meio é menor do que o PCZ predominam cargas elétricas positivas, ou seja representa a capacidade de troca de ânions (CTA), parte na figura 1 (c), nessa condição há significativa adsorção de ânions (fosfato, sulfato, nitrato, cloreto).

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Solo-paisagem

Veja o vídeo destacando a relação solo-paisagem de: Latossolo Vermelho, Nitossolo Vermelho e Neossolo Litólico.

Esse conhecimento é muito importante nos estudos de gênese e levantamento de solos.

História da Pedologia

Em 1877 Dokouchaiev, pioneiramente, estudou os solos da Rússia considerando a distinta existência dos horizontes desde a superfície até a atingir rocha, estabelecendo assim a base da Pedologia, considerando além da diferenciação morfológica vertical do solo, seus constituintes, sua gênese. Essa ciência, relativamente recente, contribui para o desenvolvimento de uma nação porque informa as características dos solos, que são indispensáveis para o racional planejamento do uso das terras na agronomia, geologia, geografia, geomorfologia, biologia e na ecologia.

Formação do Solo

O tempo como fator de Formação do Solo

Segundo os especialistas em gênese de solos, são necessários 10000 anos para a formação de 1 cm de solo desenvolvido de granito. A figura abaixo ilustra a evolução do solo que aumenta de espessura ao longo do tempo.

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Indicações Pedológicas

Diversas classificações!

A Pedologia é uma ciência que possui uma lógica de abordagem que pode ser facilmente compreendida. Podemos identificar um solo como identificamos uma música, em uma canção não precisamos ouví-la inteira. No solo isto pode acontecer, não precisamos examinar diretamente todas as características morfológicas para classificá-lo.

Para detalhar este solo é fundamental o conhecimento das condições químicas, físicas e mineralógicas. A hierarquia da classificação de solos no Sistema Brasileiro consta na figura 1 e no Sistema Americano na figura 2.

Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

As cores citadas na sub ordem adjetivam de vermelho, vermelho-amarelo e amarelo os Latossolos e Argissolos, e de vermelho parte dos Nitossolos. As interpretações químicas pedológicas no nível de grande grupo podem ser examinadas, em detalhe, na enquete 27.

Para maiores detalhes sobre cor de solos no nível de subordem consultar a enquete 44.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

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IPNI Jornal da Cana The International Union of Soil Sciences Natural Resources Management and Environment Departament ISRIC - World Soil Information