Curiosidade - Ambientes de Produção Dinâmicos de Cana-de-Açúcar.

Logotipo, Ambientes de Produção Dinâmicos de Cana-de-Açúcar.

Ambiente de produção de cana-de-açúcar é o local da interação do solo com o clima, refletindo na produtividade nas diferentes épocas de corte da planta (Centro de Cana-IAC).

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No enquadramento dos ambientes de produção considera-se o manejo básico (adequado preparo do solo, corretos manejos: de conservação do solo, calagem, adubação e gessagem; ausência de mato competição, de pragas e doenças; além do plantio e na colheita nas épocas mais recomendadas).

Depois de enquadrado, o ambiente de produção considerado no manejo básico é modificado favoravelmente quando for feito o manejo avançado (irrigação plena ou semi plena, aplicação de vinhaça, torta de filtro, adubação verde, soja por longo tempo; e o preparo muito profundo abaixo de 50cm de profundidade. Este preparo deve ser feito somente:

  1. Nos solos com limitação química em sub superfície em relação aos níveis de bases, como cálcio, magnésio e potássio (“desnecessário no preparo muito profundo enriquecer um solo rico em bases, pois são os eutróficos!”); e
  2. Nos solos ressecados, ou seja aqueles que não disponibilizam água no horizonte B por maior tempo, tais como os Latossolos distróficos ou mesoálicos ou álicos ou ácricos.

A figura a seguir mostra a interação entre variedades de cana-de-açúcar com diversidade do potencial genético. No lado direito da figura está representado o ambiente mais favorável, no lado esquerdo, o ambiente mais desfavorável.

No ambiente de produção mais favorável a variedade que mais se destacou foi a IACSP94-2101, por ser geneticamente a mais exigente com relação ao ambiente, quando alocada no ambiente desfavorável não foi a que a mais se destacou (ficou como última colocada!).

Por outro lado, no ambiente desfavorável a variedade SP813250 foi a mais produtiva por ser geneticamente pouco exigente em relação ao ambiente de produção, quando alocada (incorretamente no ambiente favorável) ficou na segunda colocação.

Concluindo, antes de se programar a alocação das variedades de cana-de-açúcar é decisivo saber quais são os ambientes de produção da usina ou destilaria.

Respostas das variedades de cana-de-açúcar nos diferentes ambientes de produção, IACSP94-2101: Perfil responsivo/exigente. Fonte: M. G. A. Landell.
Respostas das variedades de cana-de-açúcar nos diferentes ambientes de produção, IACSP94-2101: Perfil responsivo/exigente. Fonte: M. G. A. Landell.

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Vídeo - Cor do solo.

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Nova curiosidade - Relação entre Pedologia e Entomologia.

A presença da cigarrinha no solo cultivado com cana-de-açúcar (figura 1), está relacionada com:

  • CTC do solo;
  • Disponibilidade de água no perfil;
  • Palha (princial fator);
  • Cultivo anterior (pastagem, sua outra planta hospedeira).

Quanto maior a CTC do solo maior é a abertura de fendas no período seco, nessa condição fica fácil a cigarrinha aproveitar o espaço para depositar seus ovos.

Por isso nas mesmas condições climáticas e solos com elevada CTC tais como Vertissolos, Nitossolos e Latossolos argilosos e muito argilosos, existe maior grau infestação da cigarrinha do que nos demais solos, com CTC baixa.

A figura 2 destaca o fendilhamento no horizonte A do Nitossolo Vermelho.

Figura 1. Cigarrinha.
Figura 1. Cigarrinha.
Figura 2. Fendas no horizonte A do Nitossolo Vermelho.
Figura 2. Fendas no horizonte A do Nitossolo Vermelho.

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Curiosidade - O preparo muito profundo dos solos

Em média, a profundidade do horizonte A dos solos brasileiros possui 30 cm, depende muito do tipo de solo, abaixo dessa profundidade ocorre o horizonte sub superficial B (ou horizonte C na ausência do horizonte B).

O preparo de solos muito profundo (80-100 cm) e moderadamente profundo (40-80 cm) geralmente atinge o horizonte sub superficial. Há casos do preparo moderadamente profundo ser o mais indicado, em vez relação ao muito profundo.

Existem vários tipos de solos, cada um reage diferentemente a esse tipo de manejo, para decidir a execução do preparo de solo na propriedade, em primeiro lugar, deve-se executar o levantamento de solos, depois conhecer as características físico-hídricas e químicas do perfil de solo.

Caso não seja recomendado esse preparo, se for executado poderá até reduzir a atual produtividade, além dos gastos desnecessários com maquinários e equipamentos.

Existem dois grupos de manejo, grupo I é recomendado o preparo muito profundo, já no grupo II não recomendado.

Grupo I

Solos: Latossolos distróficos, mesoálicos, álicos e ácricos, Plintossolos Háplicos com quantidade de plintita menor que 25% em volume

Justificativas: São solos com limitação química abaixo da camada arável, com teores baixos ou muito baixos de cálcio, consequentemente com altos ou muito altos teores de alumínio trocável, o que limita o enraizamento em profundidade.

O efeito do preparo profundo aumenta a saturação por bases (V%) favorecendo maior enraizamento em profundidade, aumentando o vigor da planta.

Grupo II

Solos: Latossolos eutróficos e mesotróficos, Nitossolos eutróficos e mesotróficos, Argissolos eutróficos e mesotróficos, Luvissolos, Vertissolos. Por definição todos Luvissolos e Vertissolos são eutróficos.

Justificativas: São solos que naturalmente apresentam médios ou altos de cálcio, consequentemente baixos valores de alumínio trocável abaixo do horizonte A. Essas condições químicas favorecem o crescimento radicular em profundidade.

Não é recomendado o preparo muito profundo nos solos eutróficos e mesotróficos porque os níveis de bases em sub superfície são naturalmente adequados, especialmente de cálcio. Desnecessáro enriquecer um solo rico em bases, já naturalmente rico em bases na sua gênese pedológica! Nos Argissolos, mesmo sendo distróficos ou mesoálicos, não se recomenda o preparo muito profundo porque a disponibilidade hídrica é favorável em função da quebra de capilaridade entre o horizonte A menos argiloso A e horizonte B bem mais argiloso, o que aumenta o tempo da água no perfil de solo. Quando o Argissolo apresenta o horizonte A totalmente erodido fica difícil o manejo de solo em termos de preparo. A consistência extremamente firme dos Vertissolos é responsável pela não recomendação do preparo abaixo do horizonte A. Esses solos não devem ser subsolados porque possuem adensamento genético.

Solos: Plintossolos Pétricos, Plintossolos Argilúvicos, Plintossolos Háplicos com quantidade de plintita acima de 25% em volume.Neossolos Quartzarênicos.

Os Plintossolos Pétricos possuem condições físicas tão péssimas que equipamentos desgastam-se rapidamente. Isso também ocorre nos Plintossolos Háplicos com volume de plintita acima de 25% em volume. Até mesmo nos Plintossolos Argilúvicos, distróficos ou mesoálicos, não se recomenda o preparo profundo porque a disponibilidade hídrica é favorável em função da quebra de capilaridade entre o horizonte A e E menos argilosos A e do horizonte B bem mais argiloso, o que aumenta o tempo da água no perfil de solo. A estrutura em grãos simples e a consistência solta dos Neossolos Quartzarênicos não justifica o preparo muito profundo.

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Solo-paisagem

Veja o vídeo destacando a relação solo-paisagem de: Latossolo Vermelho, Nitossolo Vermelho e Neossolo Litólico.

Esse conhecimento é muito importante nos estudos de gênese e levantamento de solos.

História da Pedologia

Em 1877 Dokouchaiev, pioneiramente, estudou os solos da Rússia considerando a distinta existência dos horizontes desde a superfície até a atingir rocha, estabelecendo assim a base da Pedologia, considerando além da diferenciação morfológica vertical do solo, seus constituintes, sua gênese. Essa ciência, relativamente recente, contribui para o desenvolvimento de uma nação porque informa as características dos solos, que são indispensáveis para o racional planejamento do uso das terras na agronomia, geologia, geografia, geomorfologia, biologia e na ecologia.

Formação do Solo

O tempo como fator de Formação do Solo

Segundo os especialistas em gênese de solos, são necessários 10000 anos para a formação de 1 cm de solo desenvolvido de granito. A figura abaixo ilustra a evolução do solo que aumenta de espessura ao longo do tempo.

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Indicações Pedológicas

Diversas classificações!

A Pedologia é uma ciência que possui uma lógica de abordagem que pode ser facilmente compreendida. Podemos identificar um solo como identificamos uma música, em uma canção não precisamos ouví-la inteira. No solo isto pode acontecer, não precisamos examinar diretamente todas as características morfológicas para classificá-lo.

Para detalhar este solo é fundamental o conhecimento das condições químicas, físicas e mineralógicas. A hierarquia da classificação de solos no Sistema Brasileiro consta na figura 1 e no Sistema Americano na figura 2.

Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

As cores citadas na sub ordem adjetivam de vermelho, vermelho-amarelo e amarelo os Latossolos e Argissolos, e de vermelho parte dos Nitossolos. As interpretações químicas pedológicas no nível de grande grupo podem ser examinadas, em detalhe, na enquete 27.

Para maiores detalhes sobre cor de solos no nível de subordem consultar a enquete 44.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

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