Enquete #60: Os fatores de formação dos solos relacionados com aspectos de manejo.

Jeny (1941) considerou os fatores de formação dos solos representados pelo material de origem, clima, organismos relevo e tempo.

Esses fatores de formação podem ser relacionados com vários aspectos de manejo de solos:

Material de origem

O material de origem do solo pode ser a rocha (basalto, arenito, granito, etc.) ou sedimentos recentes (aluviões).

O basalto e o diabásio, por exemplo, originam solos de textura argilosa e muito argilosa; em contraste o arenito origina solos de textura arenosa ou média; solos derivados de calcário e xisto apresentam teores de silte relativamente elevados.

O basalto ou o diabásio originam Neossolos Litólicos, Cambissolos, Nitossolos e até Latossolos com alta saturação por bases (cálcio, magnésio, potássio e sódio) no horizonte B (eutróficos ou eutroférricos), mas o intemperismo intenso dos solos tropicais é responsável pela significativa remoção dessas bases originando até Latossolos acriférricos nas superfícies geomorfológicas mais antigas do Brasil.

Na condição química pedológica, os solos com baixos teores ou nulos de cálcio podem ser distróficos ou ácricos e acriférricos, ou álicos, ou alíticos ou até alumínicos. Em comum os teores de cálcio são baixos em todas essas condições, mas somente nos ácricos e acriférricos os teores de alumínio também são reduzidos ou nulos.

A gessagem é recomendada visando aumentar os níveis de cálcio e reduzir os níveis de alumínio das camadas subsuperficiais dos solos com alta saturação por alumínio.

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40ª Pergunta sobre gênese

Para os pedologistas, uma das perguntas mais admiráveis sobre a gênese do solo: porquê existem Latossolos com altos valores de saturação por bases (eutróficos) no horizonte B, uma vez que os solos tropicais tiveram intensa remoção de bases na fração argila durante o intemperismo?

Veja mais curiosidades!

39ª Fator água relacionado com manejo de solos numa paisagem

As cores e a textura podem ser fortes indicativos de muitas explicações em relação aos aspectos de manejo de solos.

Observe na figura abaixo que no topo ocorrem solos vermelhos (Latossolos Vermelhos), no final da encosta solos amarelos (Latossolos Amarelos) sem e com mosqueamento e nas baixadas são encontrados solos acinzentados (Gleissolos).

Figura 1. Distribuição dos solos na região do Triãngulo Mineiro..
Figura 1. Distribuição dos solos na região do Triãngulo Mineiro..

No topo ocorrem solos de textura média tendendo a arenosa (16-25% de argila) mas nas encostas o teor de argila é crescente (60-70% de argila).

A drenagem interna dos solos também é muito diferente, pois os Latossolos do topo são excessivamente drenados por serem de textura média tendendo a arenosa, após uma chuva a água é removida muito rapi-damente, Latossos das encostas são acentuadamente drenados por serem de textura mais argilosa onde a água é removida rapidamente, mas se mosqueados nos Latossolos Amarelos, após uma chuva a água é removida numa velocidade moderada no perfil.

Finalmente os Gleissolos das várzeas são mal drenados onde a água é removida tão lentamente que per-manecem no solo na maior parte do ano (Gleissolos).

Em relação a coloração, os solos que ocorrem nas maiores altitudes são vermelhos devido a influência da hematita e os solos que ocorrem nas menores altitudes limitando com as várzeas são amarelos devido a contribuição da goethita (óxido de ferro hidratado), ao contrário da hematita.

Na prática, são muito importantes esses conhecimentos da presença dos solos goethíticos, pois:

  • explicam porquê os Latossolos Amarelos demoram mais para secar: tem-se verificado que nesses solos o milho, a soja e a cana-de açúcar produzem mais em relação aos solos hematíticos.
  • explicam porquê nos Latossolos Amarelos existe grande possibilidade de ocorrer a gomose do citrus por favorecer o desenvolvimento do fungo causador dessa moléstia vegetal e também porque o potencial de crescimento da cigarrinha também aumenta em relação aos os solos do topo, hematíticos.

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Nova enquete! Ponto de carga zero dos solos

PCZ é o símbolo do ponto de carga zero dos solos, onde é igual a quantidade de cargas elétricas negati-vas e positivas (figura 1).

Balanço de cargas elétricas dos solos
Figura 1. Balanço de cargas elétricas dos solos.

O delta pH (pH KCl-pH H2O) tem grande relação com o PCZ.

Notar na figura 1 que para um balanço negativo de cargas, o valor do pH H2O é maior do que o pH KCl; para um balanço positivo de cargas, o valor do pH H2O é menor do que do pH KCl e somente no PCZ o valor de pH H2O e KCl se iguala. Nessas três respectivas condições o delta pH é negativo, positivo e nulo.

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Novo livro: Atalho Pedológico para classificar solos no campo

Atalho Pedológico para classificar solos no campo

O principal objetivo do atalho pedológico é definir no campo as classes de solos nos primeiro e segundo níveis percorrendose um caminho mais curto, para isso, as palavras-chave são destacadas em negrito.

Muitas vezes,os solos apresentam similaridades que podem ser diferenciadas no campo com base nos detalhes pedológicos, os quais no constam na parte inferior de cada página na caracterização no segundo nível da hierarquia.

Dados do terceiro nível (grande grupo), quarto nível (subgrupo), e quinto nível (família) complementam a hierarquia de classificação do solo, as explicações de vários termos pedológicos são apresentadas no apêndice.

Leia as primeiras páginas

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Como adquirir

Fundag -Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola

E-mail: fundag@fundag.br

Telefone:(19) 3233-8035

Especificações Tecnicas

Idioma: português

Encadernação: Brochura

Dimensão: 26,7 x 18 cm

Ano de Lançamento: 2013

Número de páginas: 62

Valor: R$ 50,00 + despesas postais

35ª Ambientes de produção

Os ambientes de produção das plantas podem ser são favoráveis, médios ou desfavoráveis.

São favoráveis somente se ao mesmo tempo forem adequadas as condições hídricas, físicas e de fertilidade do solo ao longo de pelos menos 100 cm de profundidade, como exemplo, nos Chernossolos Argilúvicos ou Háplicos, Nitossolos Vermelhos, Gleissolos Melânicos ou Háplicos, todos eutróficos.

Solos que não possuem as 3 condições simultâneas são excluídos desses melhores ambientes de produção, como exemplos os:

  • Vertissolos, apesar da maior fertilidade natural do mundo em termos saturação por bases, possuem más propriedades físicas e parte da água disponível é tão fortemente retida na argila expansiva que não é aproveitada pelas plantas, por isso o ambiente de produção desfavorável.
  • Latossolos de textura média ou argilosa ou muito argilosa com alta saturação por alumínio nos 100 cm iniciais desde a superfície, por isso o ambiente de produção desfavorável.
    Se for anulada a alta saturação por alumínio nos 50 cm iniciais desde a superfície e continuar acima de 50% na profundidade de 50-100 cm (na prática é muito difícil reduzir significativamente a saturação por alumínio na profundidade de 50-100 cm), o ambiente de produção deixa de ser desfavorável mudando para médio, mesmo sendo de uma região com pluviometria favorável como a região norte do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul.
  • Gleissolos Tiomórficos é muito adequado suprimento hídrico diário nesse solo, mas a condição química é extremamente adversa abaixo da camada arável limitando totalmente o crescimento radicular em profundidade (pH em água 3,5 sem possibilidade de ser elevado na calagem com altas doses de calcário mantendo o valor próximo a 3,5 devido ao horizonte sulfúrico).

Resumindo, não importa o solo ter alta fertilidade natural, se faltar água em função da baixa pluviosidade local, nem ser adequado o suprimento de água porque chove muito na região e/ou pela presença do nível elevado do lençol freático se a raiz da planta cresce somente poucos centímetros de profundidade, assim a disponibilidade hídrica é reduzida porque a profundidade do sistema radicular é decisivo na disponibilidade de água justificando o ambiente de produção médio ou até desfavorável como citado para os Latossolo, pois água disponível = capacidade de campo-ponto de murcha permanente x profundidade do sistema radicular.

Finalmente são enquadrados nos ambientes de produção desfavoráveis os solos que possuem pelo me-nos duas condições limitantes: hídrica e de fertilidade, (Neossolo Quartzarênico); ou três condições: física, hídrica e de fertilidade (Plintossolo Pétrico).

Solo-paisagem

Veja o vídeo destacando a relação solo-paisagem de: Latossolo Vermelho, Nitossolo Vermelho e Neossolo Litólico.

Esse conhecimento é muito importante nos estudos de gênese e levantamento de solos.

Novo livro: Pedologia Fácil - Aplicações em solos tropicais

Pedológia Fácil - Aplicações em solos tropicais

Estudantes e profissionais de agronomia, engenharia ambiental ou florestal, zootecnia, biologia, geologia, geomorfologia e ecologia podem conhecer de uma forma simples os critérios de classificação dos solos do Brasil, correlacionados com a classificação dos Estados Unidos e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO.

As potencialidades e limitações desses solos são destacadas com base nos aspectos químicos, morfológicos e disponibilidade hídrica.

Para a cultura da cana-de-açúcar, o livro apresenta os ambientes e produção dinâmicos (APD).

Também, apresentamos um exemplo prático de avaliação com dados hipotéticos de uma propriedade rural a ser avaliada e de treze propriedades vistoriadas.

Leia o súmario e as primeiras páginas do livro

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Fundag -Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola

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Especificações Tecnicas

Idioma: português

Encadernação: Brochura

Dimensão: 26,7 x 18 cm

Peso: 0,80 kg

Edição:

Ano de Lançamento: 2013

Número de páginas: 284

Valor: R$ 100,00 + despesas postais

História da Pedologia

Em 1877 Dokouchaiev, pioneiramente, estudou os solos da Rússia considerando a distinta existência dos horizontes desde a superfície até a atingir rocha, estabelecendo assim a base da Pedologia, considerando além da diferenciação morfológica vertical do solo, seus constituintes, sua gênese. Essa ciência, relativamente recente, contribui para o desenvolvimento de uma nação porque informa as características dos solos, que são indispensáveis para o racional planejamento do uso das terras na agronomia, geologia, geografia, geomorfologia, biologia e na ecologia.

Formação do Solo

O tempo como fator de Formação do Solo

Segundo os especialistas em gênese de solos, são necessários 10000 anos para a formação de 1 cm de solo desenvolvido de granito. A figura abaixo ilustra a evolução do solo que aumenta de espessura ao longo do tempo.

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Indicações Pedológicas

Diversas classificações!

A Pedologia é uma ciência que possui uma lógica de abordagem que pode ser facilmente compreendida. Podemos identificar um solo como identificamos uma música, em uma canção não precisamos ouví-la inteira. No solo isto pode acontecer, não precisamos examinar diretamente todas as características morfológicas para classificá-lo.

Para detalhar este solo é fundamental o conhecimento das condições químicas, físicas e mineralógicas. A hierarquia da classificação de solos no Sistema Brasileiro consta na figura 1 e no Sistema Americano na figura 2.

Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

As cores citadas na sub ordem adjetivam de vermelho, vermelho-amarelo e amarelo os Latossolos e Argissolos, e de vermelho parte dos Nitossolos. As interpretações químicas pedológicas no nível de grande grupo podem ser examinadas, em detalhe, na enquete 27.

Para maiores detalhes sobre cor de solos no nível de subordem consultar a enquete 44.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

Apoio:

IPNI Jornal da Cana The International Union of Soil Sciences Natural Resources Management and Environment Departament ISRIC - World Soil Information