Enquete # 27 - Saiba mais sobre a análise química pedológica

A analise química pedológica, como rotina, inclui as determinações das bases tais como o cálcio, magnésio, potássio, e o sódio; alumínio, hidrogênio, pH em água, pH em cloreto de potássio e carbono.

A interpretação pedológica refere-se ao horizonte B, mas se o solo não possui esse horizonte, refere-se ao horizonte C, e se este horizonte também não existir, no horizonte A.

Essa interpretação serve para classificar o solo no nível de grande grupo na nova nomenclatura da EMBRAPA e sem esse dado não é possível fazer o manejo químico dos solos, nem a alocação de plantas quanto as suas exigências nutricionais.

Enquanto que o valor "V" mede o grau de saturação por bases, ou seja os níveis de bases na CTC a pH 7, o valor "m" mede a saturação por alumínio, ou seja os níveis de alumínio trocável na CTC na CTC efetiva, o valor " RC" mede a retenção de cátions, ou seja o grau de intemperismo dos solos.

Matematicamente os valores são assim expressos:

SB = Ca + Mg + K +Na

CTC = SB + Al + H

V = (SB / CTC) x 100

m = Al / (SB+Al) x 100

RC = (SB + Al) / % argilax100

Em 1999, o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos da EMBRAPA considerou na interpretação pedológica, os termos eutrófico, distrófico, ácrico, álico e alumínico.

PRADO (2004) apresentou trabalho na FERTIBIO sugerindo os termos mesotrófico e mesoálico porque os valores de V% são extremamente amplos especificamente para os os solos distróficos da EMBRAPA (1999).

Para detalhes dessa nova proposta ver artigos.

O quadro 1 apresenta os critérios químicos pedologicos.

Quadro 1. Condições químicas da subsuperfície dos solos (EMBRAPA, 1999; PRADO, 2004).

V (1) SB(2) m(1) Al3+(2) RC(3)
Eutrófico >= 50 > = 1,5 - - -
Mesotrófico 30-50 > = 1,2 - - -
Mesotrófico > 50 < 1,5 - - -
Distrófico < 30 - < 50 - > 1,5
Ácrico - - - - < = 1,5*
Mesoálico - - 15 < 50 > = 0,4 -
Álico - - > = 50 0,5-4,0 -
Alumínico > = 50 > = 4,0

(1): porcentagem (2): cmol kg-1 de solo (3): cmol kg-1 de argila

* para ser ácrico; além de RC < 1,5 cmol kg-1 argila o valor de pH em cloreto de potássio deve ser maior ou igual a 5,0, ou delta pH positivo

A figura 1 retrata os contrastes acentuados de V%, m%, cálcio e alumínio de centenas de solos tradicionalmente como distroficos.

Figura 1. Solos mesotróficos (em verde) dentro da faixa de solos tradicionalmente considerados como distróficos pela EMBRAPA (em verde mais vermelho).

Nos solos distroficos da EMBRAPA o cálcio varia de 0, 5 a 1,6 cmol kg-1, V oscila de 20 a 50%, SB de 0,8 a 1,8 , e o alumínio de 0,0 a 0,9 cmol kg-1.

Diante dessa larga amplitude como alocar plantas com diferentes exigências nutricionais?

Quando o valor "m" está próximo de 50%, os níveis de alumínio são elevados, mas não são álicos porque não ultrapassam 50% e nesses casos consideramos como mesoálicos, por coerência.

Os solos mesotróficos tendem aproximar-se das condições químicas dos eutróficos, e os mesoálicos aproximam-se das condições dos álicos.

Quando o valor " V" é elevado, os níveis de bases são elevados, especialmente cálcio, quando o valor "m" é elevado os níveis de alumínio são também elevados.

Solo com valor "V " elevado significa que o valor "m" é baixo, quando V é reduzido automaticamente o valor m é elevado, portanto existe uma relação inversa entre" V e m", para a grande maioria dos solos. Um caso atípico ocorre no solo ácrico porque, ao mesmo tempo, os teores de cálcio e alumínio são baixos uma vez que são solos predominantemente oxídicos.

Solos eutroficos possuem altos valores de bases, especialmente cálcio que influi favoravelmente no crescimento radicular, ao contrário, dos solos álicos que possuem altos valores aluminio influindo negativamente no crescimento radicular por bloquear a divisão celular.

VASCONCELOS verificou grandes diferenças no enraizamento da cana de açúcar nos solos eutróficos e álicos (figura 2).

Figura 2.Crescimento radicular da cana-de-açúcar em solos quimicamente muito contrastantes.

Observe o maior volume de raízes no solo eutrófico, ao contrario do álico e note o engrossamento da raiz no solo álico em resposta a condição de toxidez de alumínio.

Com essa nova proposta de subdividir o solo distrófico da literatura pedológica nacional , fica mais fácil estudos de agricultura de precisão porque na Natureza as variações de solos são graduais (é comum encontrarmos na paisagem solos intermediários ou intergrades) e não variações abruptas (por exemplo V igual a 55%, ou seja eutróficos separados abruptamente de solos distróficos pela literatura pedológica, V igual a 48%).

Para testar a importância da produtividade da cana-de-açúcar e indiretamente o caráter mesotrófico LANDELL et al. (2003) verificaram que a produtividades da cana-de-açúcar a partir do terceiro corte depende das condições químicas do horizonte B (figura 3).

Observe claramente que o Latossolo mesotrófico foi o segundo colocado na produtividade (superado apenas pelo eutrófico), e que o distrófico pelo critério de PRADO (2004), foi o terceiro colocado, reforçando o argumento que o mesotrofismo constitui um ambiente químico mais rico em cálcio do que o distrofismo!

Figura 3. Produtividade de cana-de-açúcar ao longo dos cortes (Fonte: LANDELL et al., 2003).

Em 2006 o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos na nova nomenclatura da EMBRAPA manteve os caracteres eutrófico, distrófico, ácrico e alumínico, e criou o alítico (quadro 2), e insiste em manter o álico no nível de família, em vez do grande grupo, desde 1999. Isso elimina a possibilidade de álico estar no grande grupo, seu lugar para permitir o manejo racional de solos e alocação de plantas, pois há variedades de cana-de-açúcar para solos álicos, bem como distróficos, etc. O nível de família refere-se ao levantamento de solos detalhado, mas o Brasil raramente possui desse detalhamento.

Quadro 2. Critérios químicos da EMBRAPA (2006).

V (1) SB(2) m(1) Al3+(2) RC(3) T
Eutrófico > = 50 > =1,5 - - - -
Acrico - - - - < = 1,5 -
Distrofico* - - - - - -
Alítico - - > =50 > =4 - > =20
Aluminico - - > = 50 > =4 - < 20

* V < 50% desde que não atenda exigência para ácricos, aliticos e alumínicos.

para ser ácrico; além de RC < 1,5 cmol kg-1 argila o valor de pH em cloreto de potássio deve ser maior ou igual a 5,0, ou delta pH positivo

O site www.pedologiafacil.com.br permite que você digite seus próprios dados químicos para saber a respectiva interpretação pedológica, ver Condições químicas abaixo da camada arável no site www.pedologiafacil.com.br.

Finalizando você pode seguir as orientações oficiais, mas sem perder a chance de conhecer aspectos práticos da Pedologia de campo.

No ano 2000 enviamos a EMBRAPA essa sugestão para que todas condições químicas sejam consideradas no nível de grande grupo, estamos aguardando a avaliação do respectivo Comitê.

Podemos facilmente comparar nossa sugestão com a luz branca, supostamente de cor única, mas num exame mais detalhado mostra contrastes de cores.

Em Pedologia isso também ocorre,a figura 4 auto explicativa mostra essa /images.

Figura 4. A luz branca e suas nuances, o caráter distrófico tradicional da EMBRAPA e suas nuances, e a nossa sugestão ao Comitê Pedológico da EMBRAPA.

Resultado da enquete

Alternativa correta: F

Alternativa % de votos
a) Se o solo é álico, o valor V supera 50%. 18,4%
b) Se o solo é eutrófico o valor m supera 50%. 2,6%
c) O solo ácrico apresenta valor RC maior que 1,5 cmol kg-1 de argila. 7,9%
d) O alumínio favorece o crescimento radicular. 5,3%
e) O cálcio inibe o crescimento radicular. 5,3%
f) Todas as alternativas anteriores estão erradas. 60,5%
Total de votos 38

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