Curiosidade 46ª A medida do ambiente de produção de cana-de-açúcar

Ambiente de produção é a interação do solo com o clima histórico.

No caso da cana-de-açúcar, com estudo específico do Centro de Cana do IAC, os ambientes de produção literalmente variam de A1 até G2 com produtividades médias de cinco cortes (TCH5) e notas (10 a 0), respectivamente decrescentes, figura 1.

Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.

O manejo considerado nas produtividades da figura 1 inclui as boas práticas agrícolas em relação ao preparo e conservação do solo, calagem, gessagem, controle de fitossanidade, além da correta época de plantio e também de colheita.

O efeito benéfico do manejo avançado pela adição de vinhaça, torta de filtro e o plantio da cana-de-açúcar em locais previamente com soja, milho, citrus, etc certamente incrementam a produtividade reveladas na figura 1.

O mesmo solo enquadra-se em diferentes ambientes de produção porque a deficiência hídrica difere.

Por exemplo, o Nitossolo Vermelho eutroférrico textura argilosa ou muito argilosa A moderado que ocorre na região de Maringá (PR) enquadra-se no ambiente A1 quando a colheita é feita no início e meio de safra, e B1 quando a colheita é no final de safra.

Esse mesmo solo também ocorre na região de Goianésia (GO), bem mais seca do que Maringá, enquadrando-se no ambiente C1 quando a colheita é feita no início de safra, C2 na colheita no meio de safra e D2 quando colhida no final de safra.

Portanto, ambiente de produção não sinônimo de fertilidade do solo!

Enquete #63. Solos de Minas Gerais e Goiás.

Os solos do estado de Minas Gerais que limitam-se com os de Goiás, separados pelo rio Paranaíba, são ilustrados na figura 1.

Figura 1. Solos de Minas Gerais e Goiás.
Figura 1. Solos de Minas Gerais e Goiás.

L-1 significa Latossolo com teor de argila variando de 16-25%. L-2 significa Latossolo com teor de argila variando de 26-35%, L-3 significa Latossolo com teor de argila variando de 36-60%, L-4 significa Latossolo com teor de argila superior a 60%, RQ representa o Neossolo Quarzarênico, o mais arenoso de todos.

O material de origem dos solos L-3 e L-4 é o basalto, e dos solos L-1, L-2 e RQ, o arenito.

Considerando a mesma precipitação pluviométrica, os solos simbolizados de RQ são aqueles que secam primeiro, em seguida os solos simbolizados de L-1, L-2, L-3 e L-4.

Química e pedologicamente, os solos são mais férteis em saturação por bases (V% em subsuperfície) são os simbolizados de L-3 e L-4, em relação a L-2 e L-1 e RQ, consequentemente a água disponível é maior somente nos solos L-4 e L-3 porque quanto mais fértil em profundidade, mais a raiz desce no perfil de solo.

Isso ocorre porque a disponibilidade de água resulta dos dados de capacidade de campo e ponto de murcha permanente multipilcados pela profundidade de exploração do sistema radicular, que é muito maior nos solos L-3 e L-4, com valores de saturação por bases do perfil de solo mais elevados de todos da encosta.

A vegetação original é representada pela mata com bacuri, gariroba e farinha seca nos solos simbolizados de L-3 e L-4, mas nos solos L-1, L-2 e RQ a típica vegetação original é representada pela ciganinha, taboca e baru.

Observe na figura acima que os solos mais argilosos (L-3 e L-4) ocorrem próximos ao rio Paranaíba (terço inferior da encosta) e a medida que a altitude aumenta (topo) predominam Latossolos textura media tendendo a arenosa (L-1), e até RQ (Neossolo Quartzarênico), o mais arenoso de todos.

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Solo-paisagem

Veja o vídeo destacando a relação solo-paisagem de: Latossolo Vermelho, Nitossolo Vermelho e Neossolo Litólico.

Esse conhecimento é muito importante nos estudos de gênese e levantamento de solos.

História da Pedologia

Em 1877 Dokouchaiev, pioneiramente, estudou os solos da Rússia considerando a distinta existência dos horizontes desde a superfície até a atingir rocha, estabelecendo assim a base da Pedologia, considerando além da diferenciação morfológica vertical do solo, seus constituintes, sua gênese. Essa ciência, relativamente recente, contribui para o desenvolvimento de uma nação porque informa as características dos solos, que são indispensáveis para o racional planejamento do uso das terras na agronomia, geologia, geografia, geomorfologia, biologia e na ecologia.

Formação do Solo

O tempo como fator de Formação do Solo

Segundo os especialistas em gênese de solos, são necessários 10000 anos para a formação de 1 cm de solo desenvolvido de granito. A figura abaixo ilustra a evolução do solo que aumenta de espessura ao longo do tempo.

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Indicações Pedológicas

Diversas classificações!

A Pedologia é uma ciência que possui uma lógica de abordagem que pode ser facilmente compreendida. Podemos identificar um solo como identificamos uma música, em uma canção não precisamos ouví-la inteira. No solo isto pode acontecer, não precisamos examinar diretamente todas as características morfológicas para classificá-lo.

Para detalhar este solo é fundamental o conhecimento das condições químicas, físicas e mineralógicas. A hierarquia da classificação de solos no Sistema Brasileiro consta na figura 1 e no Sistema Americano na figura 2.

Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

As cores citadas na sub ordem adjetivam de vermelho, vermelho-amarelo e amarelo os Latossolos e Argissolos, e de vermelho parte dos Nitossolos. As interpretações químicas pedológicas no nível de grande grupo podem ser examinadas, em detalhe, na enquete 27.

Para maiores detalhes sobre cor de solos no nível de subordem consultar a enquete 44.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

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IPNI Jornal da Cana The International Union of Soil Sciences Natural Resources Management and Environment Departament ISRIC - World Soil Information