Curiosidades
24ª Curiosidade
Os materiais dos solos que possuem cargas elétricas são representados pela matéria orgânica, minerais de argila e óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio.
Enquanto que a matéria orgânica e minerais de argila geram cargas negativas, os óxidos e hidróxidos são responsáveis pelas cargas negativas (quando o valor do pH é relativamente alto) ou positivas (quando o valor de pH é relativamente baixo).
As cargas negativas do horizonte A são devido a matéria orgânica e minerais de argila, mas no horizonte B predominam cargas elétricas negativas ou positivas (figura 1a).
A diferença entre pH em água e pH em KCl (delta pH) indica predominância de cargas negativas quando o pH em água é menor que em KCL, cargas positivas quando o pH em KCL supera o pH em água, e nulo quando os valores de pH se igualam (ponto de carga zero). No PCZ a argila flocula-se no seu ponto máximo (a argila dispersa o mínimo).
Nos solos, as cargas elétricas são dependentes de pH (ou cargas variáveis), muito comum nos solos tropicais, e permanentes ou independentes de pH (no passado ocorreu substituição natural de íons dentro da grade cristalina do mineral de argila por ions similares mantendo o mesmo arranjo, por isso foram geradas cargas negativas permanentes), figura 1b.

Figura 1. Cargas elétricas no perfil de solo.
O Latossolo ácrico apresenta alta probabilidade de apresentar predominância de carga positivas em relação as negativas no horizonte B e numa profundidade variável, logicamente porque nessa profundidade existe baixo teor de matéria orgânica e baixa CTC.
Nessas condições, há maior retenção de ânions (sulfato, nitrato) do que cátions (cálcio, magnésio, potássio, sódio); em outras palavras, a CTA (capacidade de troca de ânions) supera a CTC (capacidade de troca de cátions).
Comparando os valores de soma bases (cálcio, magnésio, potássio e s´dio) na profundidade de 100 cm do Latossolo Vermelho acriférrico e do Neossolo Quartarênico verifica-se que não são tão diferentes apesar desse Latossolo possuir 60-70% de argila e o citado Neossolo, apenas 10%!
23ª Curiosidade
O horizonte B do Argissolo é um reservatório de água para as plantas porque armazena e disponibiliza água por longo tempo.
Isso ocorre porque existe uma quebra de capilaridade entre os microporos dos horizontes A e B que possuem, respectivamente, baixo e alto teor de argila.
Dependendo do tipo da planta, conseqüentemente do volume de raízes, a profundidade do horizonte B influi muito na absorção de água.
Para as plantas anuais é importante que o horizonte B ocorra logo abaixo da camada arável para o sistema radicular aproveitar a água disponível, mas para o eucalipto e o citros, a presença do horizonte B a 100 cm de profundidade ainda é interessante porque o sistema radicular é mais profundo do que das plantas anuais.
As figuras 1 e 2 destacam a profundidade do horizonte B de dois Argissolos, iniciando a 50 cm, e a 90 cm, respectivamente.

Figura 1. Argissolo com profundidade do horizonte B próximo a 50 cm.

Figura 2. Argissolo com profundidade do horizonte B próximo a 90 cm.
Especial atenção deve ser dada na conservação dos Argissolos porque a remoção do horizonte A no processo erosivo reduz muito a importância hídrica do horizonte B.
22ª Avaliação de terras
Normalmente na aquisição de um imóvel rural não são consideradas as reais condições dos tipos de solos, ou seja, considerando suas características pedológicas.
No método comparativo do valor da terra nua, é possível calcular seu valor quando existe o mapa de solos elaborado num nível adequado (reconhecimento de alta intensidade, semidetalhado ou detalhado), além do mapa clinográfico (ou de declividade) resultando no mapa de capacidade de uso ( figura 1).

Figura 1. Solos, declividade e capacidade de uso da propriedade rural.
A capacidade de uso relacionada com a qualidade das estradas permite obter índices agronômicos, a nota agronômica da gleba resulta de cálculos dos índices agronômicos e das respectivas áreas.
As notas agronômicas da propriedade a ser adquirida (Avalianda) e das comercializadas na mesma região uma vez conhecidas, permite comparações visando conhecer o valor da terra nua do imóvel rural a ser adquirido.
21ª Cana-de-açúcar orgânica
A usina Jalles Machado localizada em Goianésia (GO) possui grande área de cana orgânica.
Segundo a Gestora de Planejamento Agrícola Dra Patrícia Rezende Fontoura, o manejo é diferenciado porque na fertilização são utilizados compostos naturais fosfatados, além da adubação verde (figura 1) e vinhaça visando aumentar os níveis de matéria orgânica.
Figura 1. Adubação verde entre a cana orgânica na usina Jalles Machado (GO).
A época de corte da cana orgânica coincide com o inverno, a melhor época de corte segundo a matriz de Landell e colaboradores do Centro de Cana o IAC, considerando-se conjuntamente a produtividade agrícola e a maturação da planta.
Nesse manejo, a produtividade é da ordem de 10 t/ha em relação ao da cana no sistema convencional.
Nesse sistema que não permite a adubação mineral, nem a utilização de agrotóxicos, os animais preferem sobreviver harmonicamente (figura 2).
Figura 2. Harmonia animal no sistema de cana orgânica na usina Jalles Machado (GO).
20ª Linha de pedras e como descontinuidade litológica
Em algumas paisagens da região nordeste do Brasil ocorrem solos derivados de sedimentos do Grupo Barreiras no relevo plano (figura 1) ou suavemente ondulado, mas no relevo ondulado (figura 2) ou fortemente ondulado ocorrem solos desenvolvidos de rochas do Complexo Cristalino.
Figura 1. Relevo plano.
Figura 2. Relevo ondulado.
No campo, a linha de pedras ou “stone line” é uma clara evidência de descontinuidade litológica no perfil de solo conforme ilustrado nas figuras 3 e 4.
Figura 3. Linhas de pedras no perfil de solo.
Figura 4. Detalhe da linha de pedra no perfil.
Note que acima da linha de pedras a coloração do solo é amarelada e abaixo dessa linha a cor é avermelhada, indicando o real contato de ambos os solos.
O solo que ocorre acima da linha de pedra classifica-se como Latossolo Amarelo coeso e é originado de sedimentos do Grupo Barreiras (figura 5); abaixo dessa linha ocorre o Argissolo Vermelho originado de rocha do Complexo Cristalino (figura 6).
Figura 5. Latossolo Amarelo coeso.
Figura 6. Argissolo Vermelho.
19ª - Dos cinco sentidos do Homem, no campo quatro deles são utilizados rotineiramente nos estudos pedológicos ou de solos:
A visão, no exame das paisagens não só prevendo as variações de solos de acordo com o relevo, a declividade, a vegetação natural e as rochas, como também na comparação das cores (figura 1), no estudo do tipo, classe e grau de estrutura, na efervescência do carbonato de cálcio ao reagir com a água oxigenada e na separação dos horizontes dos perfis de solos; o tato, na estimativa do teor de argila pela sua pegajosidade, do silte pela sensação de sedosidade e da areia pela sua aspereza com predominância de areia grossa ou areia fina (figura 2) e ao sentir a consistência (seca, úmida e molhada); o olfato pelo típico cheiro de enxofre do Gleissolo ou Organossolo (ambos tiomórficos), e o paladar pelo sabor muito salgado do Gleissolo sálico.
Figura 1. Carta de cor MUNSELL.
Figura 2. Estimativa do teor de argila pela sensação de pegajosidade do solo molhado.
18ª curiosidade
A região de Piracicaba apresenta enorme variação de solos, por isso há muito tempo é conhecida como “uma colcha de retalhos”. Quase todas as ordens de solos são encontradas nessa região: Latossolos, Argissolos, Nitossolos, Cambissolos, Luvissolos, Chernossolos, Plintossolos,Vertissolos, Planossolos, Gleissolos, Organossolos.
Os fatores de formação desses solos que mais variam são: material de origem (calcário, folhelho, argilito, basalto, diabásio, e arenito e sedimentos), e relevo (plano, suavemente ondulado, ondulado e escarpado) da Depressão Periférica e do Planalto Ocidental.
A figura 1 mostra o aspecto geomorfológico marcante da referida região.
Figura 1. Geomorfologia da região de Piracicaba.
Enquanto que nos locais com altitude superior a 900 m, acima da escarpa representada pelo Planalto Ocidental são encontrados solos com horizonte A proeminente, além do A moderado, nos locais de menores altitudes (Depressão Periférica) ocorrem principalmente solos com horizonte A moderado, e em menor proporção A fraco e A chernozêmico.
No segundo semestre de 2011, você terá oportunidade e examinar esses solos no
“I CURSO PRÀTICO DE PEDOLOGIA”.
Para ver esses solos clicar em vídeos na página inicial deste site.
17ª curiosidade
Cor e potencial nutricional dos solos
Nem sempre deve- se afirmar que os melhores solos para a atividade agro-florestal são os de coloração avermelhada (figura 1).

Figura 1. Latossolo Vermelho álico textura muito argilosa.
Nas paisagens freqüentemente são identificados solos muito vermelhos com baixo potencial nutricional abaixo da camada arável, ou seja, geralmente na profundidade de 80-100 cm correspondendo ao horizonte B (ou C).
Quando representados pela classe dos Latossolos são muito ressecados, outra limitação!.
Na referida profundidade de 80-100 cm essa limitação química subsuperficial evidencia, valores de cálcio e magnésio baixíssimos mesmo nos solos mais argilosos, enquadrando-os como mesoálicos, álicos e ácricos.
Na prática exige-se um custo operacional de gessagem e/ou calagem profunda para elevar os níveis dos citados elementos abaixo da camada arável num tempo de longa duração.
Dessa forma, o valor da terra deve ser menor!
Os solos vermelhos também podem apresentar médio/alto potencial nutricional (eutróficos e mesotróficos), dispensando a citada incorporação de cálcio e magnésio em profundidade.
Por outro lado, os solos amarelados podem também apresentar baixo ou alto potencial nutricional, e ainda apresentar maior disponibilidade de água para as plantas, quando representados pelos Argissolos (figura 2).

Figura 2. Argissolo mesoálico textura arenosa / média.
Portanto, a cor do solo nunca deve ser o principal critério para você arrendar e comprar terras, pois em primeiro lugar, é necessário o levantamento pedológico (ou de solos) num nível de detalhe suficientemente seguro para servir de base para o sucesso do agro-negócio.
16ª curiosidade
Na usina Jalles Machado de Goianéisa (GO) foi observada a brotação da cana-de-açúcar na área de reforma com a cultura da soja somente nas áreas mais declivosas (figura 1) e não observada nas áreas planas da mesma encosta.
Isso porque nos locais declivosos ocorrem solos que armazenam e disponibilizam água por longo tempo (Nitossolos Vermelhos eutróficos argilosos) e nos locais planos adjacentes da mesma encosta ocorrem solos muito ressecados (Latossolos Vermelhos ácricos argilosos).

Figura 1. Brotação da cana-de-açúcar na área de soja cultivada no Nitossolo Vermelho eutrófico.
Em função das citadas diferenças de disponibilidades hídricas, o desenvolvimento vegetativo da mesma variedade de soja é muito mais vigoroso do Nitossolo Vermelho eutrófico (figura 2), do que no Latossolo Vermelho ácrico (figura 3).

Figura 2. Desenvolvimento vegetativo da soja no Nitossolo Vermelho eutrófico.

Figura 3. Desenvolvimento vegetativo da soja no Latossolo Vermelho ácrico.
15ª curiosidade
A expressão do potencial biológico da cana-de-açúcar é de produzir 350 t/ha !!
Estudos recentes no Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas, em Ribeirão Preto, mostraram que a variedade IACSP944004 produziu 345 t/ha de colmos, em doze meses.
A foto abaixo (figura 4) ilustra o tamanho da planta nesse estudo, observados pelos engenheiros agrônomos Marcos Guimarães Andrade Landell do Centro de Cana do IAC, Sergio Quintero Nunes e Alejandro Hernandez do Engenho do Grupo Piasa do México.

Figura 4. Marcos Guimarães Andrade Landell do Centro de Cana do IAC, Sergio Quintero Nunes e Alejandro Hernandez do Engenho do Grupo Piasa do México
14ª curiosidade
Variações das condições pedoclimáticas na região de Veracruz (México)
No Estado de VeraCruz (México), a paisagem, os solos, e o clima variam significativamente em apenas 100 km de distância (figura 5)!

Figura 5. Variação de solos a curta distância.
Na paisagem, as altitudes variam de 0 a 1200 m, predominam o Vertisol (Vertissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa) e o Cambisol (Cambissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa).
Em menor proporção ocorrem o Gleysol (Gleissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa) e o Leptosol (Neossolo Litólico no Sistema Brasileiro da Embrapa).
Os índices de chuva são menores que 1500 mm na região seca, de 1500 a 2000 mm na região semi-úmida, e superior a 2000 mm na região úmida próximo das montanhas.
Na região seca ocorrem Vertissolos, na região semi-úmida Cambissolos originados de rocha e Vertissolos, e na região úmida Cambissolos derivados de rocha e Cambissolos originados dos depósitos de sedimentos fluviais são os mais observados na paisagem.
A figura 6 mostra os tipos de solos do México na nomenclatura da FAO.

Figura 6. Solos do México.
13ª curiosidade
O Nitossolo observado no barranco de estrada mostra ondulações típicas do horizonte B nítico com aspecto de um "acortinamento" e não muito vertical como ilustrado nas figuras 7 e 8.

Figura 7. Aspécto típico de um barranco de estrada de um Nitossolo.

Figura 8. Aspécto típico de um barranco de estrada de um Nitossolo.
12ª curiosidade
A fração areia é constituída predominantemente pelo quartzo (ou seja, basicamente sílica), mas ao contrário do que pode parecer, os solos com mais teores mais elevados de areia (ou baixos teores de argila) são aqueles com maior resposta ao silício, conforme a pesquisa de Korndörfer .
A figura 9 relaciona os teores de argila com as quantidades de silício no solo.

Figura 9. Relação entre os teores de argila com as quantidades de silício no solo.
11ª curiosidade
Um teste de campo para saber se o teor de silte é elevado baseia-se no aspecto de talco que o solo apresenta (figura 10). No teste de textura sente-se grande sedosidade da massa do solo, ou a típica sensação de "sabonete molhado".
Essa característica pode ser observada na classe dos Cambissolos típicos.

Figura 10. Aspecto de talco do solo com alto teor de silte.
10ª curiosidade
As diferenças dos tipos de solos ocorrem a curta distância na paisagem. Observe o nítido contato do Argissolo (cor mais clara ) e do Latossolo (cor mais vermelha) figura 11.

Figura 11. Contato do Latossolo com Argissolo.
9ª curiosidade
Você sabia que no mês de julho, a cana-de-açúcar, sem o efeito da irrigação e/ou da fertiirrigação, brota somente facilmente no Chernossolo, e não no Latossolo na região de Goianésia (GO) que possui quase 6 meses seguidos de seca?
A figura 12 apresenta o aspecto da cana-de-açúcar no Chernossolo , que na média de 5 cortes produz mais que 100 t ha-1 (ambiente de produção A1 da enquete 8), sem efeito da irrigação, nem da vinhaça (SOARES, comunicação pessoal).

Figura 12. Aspecto da cana-de-açúcar no Chernossolo da usina Jalles Machado de Goianésia (GO).
Essa constatação não é surpresa porque o Chernossolo apresenta elevada fertilidade natural não só na camada arável (horizonte A), mas também abaixo dessa camada (horizonte B). São solos, portanto solo altamente eutróficos.
O principal motivo da elevada produtividade e longevidade da planta não pode ser atribuído isoladamente ao caráter eutrófico, pois se fosse um solo ressecado não produziria tanto!
Por exemplo, o Latossolo eutrófico, ao contrário do Chernossolo, é muito ressecado e nessa mesma região produz 80-84 t.ha-1 na média de 5 cortes (ambiente de produção C2 da enquete 8), sem efeito da vinhaça e da irrigação.
Os diferenciais favoráveis ao Chernossolo em comparação com o Latossolo são esses:
- A maior disponibilidade de água no horizonte A devido ao mais alto teor de matéria orgânica, exclusivamente no Chernossolo;
- A maior disponibilidade de água no horizonte B devido a estrutura em blocos muito bem desenvolvida exclusiva do Chernossolo;
- Na prática, ambos os fatores (matéria orgânica e estrutura do horizonte B do Chernossolo ) aumentam muito o tempo da água disponível no perfil.
O Nitossolo é outro solo que também proporciona a brotação da cana-de-açúcar na mesma região e no mesmo período de seca, pois a estrutura do horizonte B assemelha-se muito com a do Chernossolo. As principais diferenças referem-se a cor do horizonte A não ser tão escura e aos menores de CTC ao longo do perfil no Nitossolo.
Isso mostra claramente a importância da Pedologia como uma ciência básica nos projetos agrícolas.
8ª curiosidade
Solos de textura média ou média tendendo a argilosa, e com predominância de areia grossa na fração grosseira apresentam "selamento" na camada arável no plantio convencional de soja?
Esse "selamento" (figura 13) endurece o solo quando logo após uma chuva favorável ao plantio da soja ocorre uma seca de 3-5 dias. Nessas condições, a tênue plântula de soja não consegue romper a camada endurecida causando falha no stand, e prejuízo para o produtor.
No manejo desses solos recomenda-se romper essa camada endurecida com implementos apropriados.

Figura 13. Selamento do solo.
7ª curiosidade
Existe uma correlação interessante entre a vegetação original e a fertilidade natural dos solos. Segundo ANHÊ os solos com alta fertilidade natural estão associadas com a presençaa de aroeira, bacuri, peroba rosa, pau d'alho, guariroba, ipê roxo, lixa, jequitibá, cedro, e jaracaticá.
Finalmente nos solos com baixa fertilidade natural ocorrem angico preto, gabiroba, macaúba, faveiro, jatobá, pequi, e ciganinha.
6ª curiosidade
Existe uma estreita relação entre vegetação e tipo de solo. A figura 14 da região de Goianésia (GO), mostra exatamente isso: local com plantas floridas e local com plantas sem flores, a pouquíssimos centímetros de distância. Para entender melhor essas diferenças fizemos duas tradagens nesses dois locais e tivemos essa surpresa curiosa: ocorre Plintossolo onde as plantas apresentam flores e Gleissolos onde as plantas não possuem flores.
Na prática não é recomendado comprar, ou arrendar terras no Plintossolo pelo ressecamento intenso e pela pouca profundidade desse solo. O Gleissolo, por ocorrer próximo dos rios e riachos, representa área de proteção ambiental (APA), por isso também não deve ser explorado economicamente.

Figura 14. Contato entre plantas com flores no Plintossolo e plantas sem flores no Gleissolo.
A disponibilidade de água é exatamente contrária em ambos solos, pois enquanto esses Plintossolos são muito ressecados, os Gleissolos são permanentemente úmidos devido a proximidade do lençol freático. Sabe-se também que a fisiologia de uma planta requer o período de seca para induzir o florescimento e é exatamente isso que a Natureza está mostrando: a interação da Botânica com a Pedologia.
Nas plantas de interesse econômico observamos também esse mesmo fenômeno de indução de florescimento. Por exemplo, para a cana-de-açúcar florescer (e acumular açúcar) é necessário existir um stress hídrico e isso inicia-se no mês de abril na região Centro-Sul do Brasil.
5ª curiosidade
O tatu cava sua toca indiretamente utilizando-se da CTC pedológica (argila)!
Pedologicamente solos adjetivados de "Tb" possuem CTC menor que 27 cmol.kg-1 de argila, mas quando maior ou igual que esse limite são "Ta". Os Latossolos e parte dos Cambissolos (Tb) são friáveis ou muito friáveis (fôfos) porque todo solo "Tb" é assim, desde que não compactados.
Por outro lado, os Chernossolos, Vertissolos são firmes ou extremamente firmes, ou seja muito duros. Portanto, até o tatu classifica o solo antes de manejá-lo (cavar sua toca), figura 15.

Figura 15. O Tatu.
4ª curiosidade
O Termo ácrico vem do latim significado (o fim). Na Pedologia um Latossolo ácrico significa tal solo já atingiu o final do intemperismo resultando numa fração argila oxídica. Mineralogicamente esse estado oxídico refere-se ao último estágio, em outras palavras, a fase caulinítica já foi ultrapassasa. Por esse motivo a classificação da FAO reserva a adjetivação de Geric (Geriatria, velhice) para essa condição pedológica, figura 16.

Figura 16. Microagregados do solo ácrico.
3ª curiosidade
Que os Latossolos argilosos ou muitos argilosos possuem elevada microagregação da fração argila, especialmente se forem ácricos. Os tamalhos desses microagregados são até maiores do que a fração areia. Na prática, a água da chuva ou irrigação percola rapidamente, por isso nunca estranhe quado esses solos bem argilosos são comparados com os mais arenosos quanto a disponibilidade de água.
2ª curiosidade
Que o intenso fendilhamento no solo surgere que possui alto grau de adensamento. Nesse caso a subsolagem não tem efeito porque a elevada dureza é consequência genêtica e nâo provocada por máquinas e implementos agrícolas, figura 17.

Figura 17. Fendas de um solo com adensamento genético.
1ª curiosidade
Para executar todos os levantamentos de solos, o número de tradagens feitas "no braço" pelo autor atinge a marca aproximada de 11000 metros. Em cada local foi necessário coletar amostras de solo até a profundidade de 1 metro. Se fosse possível concentrar num só local todas essas tradagens, o autor teria atingido a profundidade de 11000 metros ou 11 quilômetros.






