Curiosidades pedológicas

16ª curiosidade

Na usina Jalles Machado de Goianéisa (GO) foi observada a brotação da cana-de-açúcar na área de reforma com a cultura da soja somente nas áreas mais declivosas (figura 1) e não observada nas áreas planas da mesma encosta.

Isso porque nos locais declivosos ocorrem solos que armazenam e disponibilizam água por longo tempo (Nitossolos Vermelhos eutróficos argilosos) e nos locais planos adjacentes da mesma encosta ocorrem solos muito ressecados (Latossolos Vermelhos ácricos argilosos).

Figura 1. Brotação da cana-de-açúcar na área de soja cultivada no Nitossolo Vermelho eutrófico.

Em função das citadas diferenças de disponibilidades hídricas, o desenvolvimento vegetativo da mesma variedade de soja é muito mais vigoroso do Nitossolo Vermelho eutrófico (figura 2), do que no Latossolo Vermelho ácrico (figura 3).

Figura 2. Desenvolvimento vegetativo da soja no Nitossolo Vermelho eutrófico.

Figura 3. Desenvolvimento vegetativo da soja no Latossolo Vermelho ácrico.

15ª curiosidade

A expressão do potencial biológico da cana-de-açúcar é de produzir 350 t/ha !!

Estudos recentes no Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas, em Ribeirão Preto, mostraram que a variedade IACSP944004 produziu 345 t/ha de colmos, em doze meses.

A foto abaixo (figura 4) ilustra o tamanho da planta nesse estudo, observados pelos engenheiros agrônomos Marcos Guimarães Andrade Landell do Centro de Cana do IAC, Sergio Quintero Nunes e Alejandro Hernandez do Engenho do Grupo Piasa do México.

Figura 4. Marcos Guimarães Andrade Landell do Centro de Cana do IAC, Sergio Quintero Nunes e Alejandro Hernandez do Engenho do Grupo Piasa do México

14ª curiosidade

Variações das condições pedoclimáticas na região de Veracruz (México)

No Estado de VeraCruz (México), a paisagem, os solos, e o clima variam significativamente em apenas 100 km de distância (figura 5)!

Figura 1. Solos do México.

Figura 5. Variação de solos a curta distância.

Na paisagem, as altitudes variam de 0 a 1.200 m, predominam o Vertisol (Vertissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa) e o Cambisol (Cambissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa).

Em menor proporção ocorrem o Gleysol (Gleissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa) e o Leptosol (Neossolo Litólico no Sistema Brasileiro da Embrapa).

Os índices de chuva são menores que 1.500 mm na região seca, de 1.500 a 2.000 mm na região semi-úmida, e superior a 2.000 mm na região úmida próximo das montanhas.

Na região seca ocorrem Vertissolos, na região semi-úmida Cambissolos originados de rocha e Vertissolos, e na região úmida Cambissolos derivados de rocha e Cambissolos originados dos depósitos de sedimentos fluviais são os mais observados na paisagem.

A figura 6 mostra os tipos de solos do México na nomenclatura da FAO.

Figura 1. Solos do México.

Figura 6. Solos do México.

13ª curiosidade

O Nitossolo observado no barranco de estrada mostra ondulações típicas do horizonte B nítico com aspecto de um "acortinamento" e não muito vertical como ilustrado nas figuras 7 e 8.

Figura 7. Aspécto típico de um barranco de estrada de um Nitossolo.

Figura 8. Aspécto típico de um barranco de estrada de um Nitossolo.

12ª curiosidade

A fração areia é constituída predominantemente pelo quartzo (ou seja, basicamente sílica), mas ao contrário do que pode parecer, os solos com mais teores mais elevados de areia (ou baixos teores de argila) são aqueles com maior resposta ao silício, conforme a pesquisa de Korndörfer .

A figura 9 relaciona os teores de argila com as quantidades de silício no solo.

Figura 9. Relação entre os teores de argila com as quantidades de silício no solo.

11ª curiosidade

Um teste de campo para saber se o teor de silte é elevado baseia-se no aspecto de talco que o solo apresenta (figura 10). No teste de textura sente-se grande sedosidade da massa do solo, ou a   típica sensação de  “sabonete molhado”.

Essa característica pode ser observada na classe dos Cambissolos típicos.

Figura 10. Aspecto de talco do solo com alto teor de silte.

10ª curiosidade

As diferenças dos tipos de solos ocorrem a curta distância na paisagem. Observe o nítido contato do Argissolo (cor mais clara ) e   do Latossolo (cor mais vermelha) figura 11.

Figura 11. Contato do Latossolo com Argissolo.

9ª curiosidade

Você sabia que no mês de julho, a cana-de-açúcar, sem o efeito da irrigação e/ou da fertiirrigação, brota somente facilmente no Chernossolo , e não no Latossolo na região de Goianésia (GO) que possui quase 6 meses seguidos de seca?

A figura 12 apresenta o aspecto da cana-de-açúcar no Chernossolo , que na média de 5 cortes produz mais que 100 t ha-1 (ambiente de produção A1 da enquete 8), sem efeito da irrigação, nem da vinhaça (SOARES, comunicação pessoal).

Figura 12. Aspecto da cana-de-açúcar no Chernossolo da usina Jalles Machado de Goianésia (GO).

Essa constatação não é surpresa porque o Chernossolo apresenta elevada fertilidade natural não só na camada arável (horizonte A), mas também abaixo dessa camada (horizonte B). São solos, portanto solo altamente eutróficos.

O principal motivo da elevada produtividade e longevidade da planta não pode ser atribuído isoladamente ao caráter eutrófico, pois se fosse um solo ressecado não produziria tanto!

Por exemplo, o Latossolo eutrófico, ao contrário do Chernossolo, é muito ressecado e nessa mesma região produz 80-84 t ha-1 na média de 5 cortes (ambiente de produção C2 da enquete 8), sem efeito da vinhaça e da irrigação.

Os diferenciais favoráveis ao Chernossolo em comparação com o Latossolo são esses:

  • A maior disponibilidade de água   no horizonte A devido ao mais alto teor de matéria orgânica, exclusivamente no Chernossolo;
  • A maior disponibilidade de água   no horizonte B devido a estrutura em blocos muito bem desenvolvida exclusiva do Chernossolo;
  • Na prática, ambos os fatores (matéria orgânica e estrutura do horizonte B do Chernossolo ) aumentam muito o tempo da água disponível no perfil.

O Nitossolo é outro solo que também proporciona a brotação da cana-de-açúcar na mesma região e no mesmo período de seca, pois a estrutura do horizonte B assemelha-se muito com a do Chernossolo. As principais diferenças referem-se a cor do horizonte A não ser tão escura e aos menores de CTC ao longo do perfil no Nitossolo.

Isso mostra claramente a importância da Pedologia como uma ciência básica nos projetos agrícolas.

8ª curiosidade

Solos de textura média ou média tendendo a argilosa, e com predominância de areia grossa na fração grosseira apresentam "selamento" na camada arável no plantio convencional de soja?

Esse "selamento" (figura 13) endurece o solo quando logo após uma chuva favorável ao plantio da soja ocorre uma seca de 3-5 dias. Nessas condições, a tênue plântula de soja não consegue romper a camada endurecida causando falha no stand, e prejuízo para o produtor.

No manejo desses solos recomenda-se romper essa camada endurecida com implementos apropriados.

Figura 13. Selamento do solo.

7ª curiosidade

Existe uma correlação interessante entre a vegetação original e a fertilidade natural dos solos.Segundo ANHÊ os solos com alta fertilidade natural estão associadas com a presença de aroeira, bacuri, peroba rosa, pau d'alho, guariroba, ipê roxo, lixa, jequitibá, cedro, e jaracatiá.

Finalmente nos solos com baixa fertilidade natural ocorrem angico preto, gabiroba, macaúba, faveiro, jatobá, pequi, e ciganinha.

6ª curiosidade

Existe uma estreita relação entre vegetação e tipo de solo. A figura 14 da região de Goianésia (GO), mostra exatamente isso: local com plantas floridas e local com plantas sem flores, a pouquíssimos centímetros de distância. Para entender melhor essas diferenças fizemos duas tradagens nesses dois locais e tivemos essa surpresa curiosa: ocorre Plintossolo onde as plantas apresentam flores e Gleissolos onde as plantas não possuem flores.

Na prática não é recomendado comprar, ou arrendar terras no Plintossolo pelo ressecamento intenso e pela pouca profundidade desse solo. O Gleissolo, por ocorrer próximo dos rios e riachos, representa área de proteção ambiental (APA), por isso também não deve ser explorado economicamente.

Figura 14. Contato entre plantas com flores no Plintossolo e plantas sem flores no Gleissolo.

A disponibilidade de água é exatamente contrária em ambos solos, pois enquanto esses Plintossolos são muito ressecados, os Gleissolos são permanentemente úmidos devido a proximidade do lençol freático. Sabe-se também que a fisiologia de uma planta requer o período de seca para induzir o florescimento e é exatamente isso que a Natureza está mostrando: a interação da Botânica com a Pedologia.

Nas plantas de interesse econômico observamos também esse mesmo fenômeno de indução de florescimento. Por exemplo, para a cana-de-açúcar florescer (e acumular açúcar) é necessário existir um stress hídrico e isso inicia-se no mês de abril na região Centro-Sul do Brasil.

5ª curiosidade

O tatu cava sua toca indiretamente utilizando-se da CTC pedológica (argila)!

Pedologicamente solos adjetivados de "Tb" possuem CTC menor que 27 cmol kg-1 de argila, mas quando maior ou igual que esse limite são "Ta". Os Latossolos e parte dos Cambissolos (Tb) são friáveis ou muito friáveis (fôfos) porque todo solo "Tb" é assim, desde que não compactados.

Por outro lado, os Chernossolos, Vertissolos são firmes ou extremamente firmes, ou seja muito duros. Portanto, até o tatu classifica o solo antes de manejá-lo (cavar sua toca), figura 15.

Figura 9. Hélio do Prado com o Tatu.

Figura 15. O Tatu.

4ª curiosidade

O Termo ácrico vem do latim significado (o fim). Na Pedologia um Latossolo ácrico significa tal solo já atingiu o final do intemperismo resultando numa fração argila oxídica. Mineralogicamente esse estado oxídico refere-se ao último estágio, em outras palavras, a fase caulinítica já foi ultrapassasa. Por esse motivo a classificação da FAO reserva a adjetivação de Geric (Geriatria, velhice) para essa condição pedológica, figura 16.

Figura 16. Microagregados do solo ácrico.

3ª curiosidade

Que os Latossolos argilosos ou muitos argilosos possuem elevada microagregação da fração argila, especialmente se forem ácricos. Os tamalhos desses microagregados são até maiores do que a fração areia. Na prática, a água da chuva ou irrigação percola rapidamente, por isso nunca estranhe quado esses solos bem argilosos são comparados com os mais arenosos quanto a disponibilidade de água.

2ª curiosidade

Que o intenso fendilhamento no solo surgere que possui alto grau de adensamento. Nesse caso a subsolagem não tem efeito porque a elevada dureza é consequência genêtica e nâo provocada por máquinas e implementos agrícolas, figura 17.

Figura 17. Fendas de um solo com adensamento genético.

1ª curiosidade

Para executar todos os levantamentos de solos, o número de tradagens feitas "no braço" pelo autor atinge a marca aproximada de 11000 metros. Em cada local foi necessário coletar amostras de solo até a profundidade de 1 metro. Se fosse possível concentrar num só local todas essas tradagens, o autor teria atingido a profundidade de 11000 metros ou 11 quilômetros.

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